Veneza, por sua privilegiada localização entre o Ocidente e o Oriente, foi herdeira da cultura Bizantina e ocultou, o quanto possível, o segredo da fabricação do vidro. Na idade média (a partir de 1292) os vidreiros eram proibidos de sair da ilha de Murano: local onde floresciam as noivas ideias que deram origem a uma indústria  que unia beleza, utilidade e arte e perfeições jamais antes imaginadas por outros centros europeus. Os artigos venezianos são delicadamente adornados e leves com presença intensa de decoração floral em esmalte branco (ou colorido) sobre taças, fruteiras, jarros e bacias de vidro que recebiam também decoração em ouro. O resultado é um pouco extravagante, mas de beleza ímpar. As fábricas venezianas atingiram seu auge no século XVI. Apesar dos esforços por manter o segredo do fabrico dos vidros, as técnicas venezianas saíram dos estreitos limites da Ilha de Murano e expandiram-se a outros países, especialmente à Bohemia, França e Alemanha. Os espelhos venezianos têm características bem peculiares e fáceis de se identificar: um espelho grande (central) bisotê que recebe decoração em toda a sua borda com fragmentos bisotados de espelhos menores que formam uma espécie de mosaico. Delicadas flores de vidro compõem e dão acabamento ao espelho veneziano. O valor artístico dos espelhos venezianos é tão grande que, atualmente, as peças originais são encontradas em castelos e museus – incluindo o Louvre, da Paris.