ABC do antiquariato

Destacamos aqui alguns termos e palavras comumente utilizadas em/por antiquários e interessados. O objetivo desse “dicionário de antiguidades” é simplesmente esclarecer, tirar dúvidas e enriquecer nosso vocabulário. Sua colaboração e opinião sobre acréscimo de algum novo termo será muito bem-vinda. As fotos são meramente ilustrativas capturadas na internet (GOOGLE).

São mais de 200 palavras!

Fontes de consulta: Guia dos Estilos de Mobiliário – Brunt, Andrew / Dicionário de Movimentos e Significados nas Artes Plásticas / Enciclopédia Ilustrada de Antiguidades / Revista Retrô.

Texto: Paulo Hippen

Afresco

Técnica antiga de pintura mural (em paredes/muros) que consiste na aplicação de pigmentos diluídas em água em superfícies úmidas e previamente preparadas com argamassa ainda FRESCA, objetivando facilitar o embebimento da tinta. O afresco foi muito empregado na Renascença.

Alabastro

Alabastro é uma designação aplicada a dois minerais distintos: gesso (sulfato de cálcio hidratado) e calcite (um carbonato de cálcio). O alabastro de calcite possui maior dureza, se apresentando como uma pedra, e foi muito usado na antiguidade para a produção de peças decorativas e de uso no dia-a-dia. O alabastro pode ser esculpido e polido, ficando com aparência semelhante ao mármore. Porém, é mais macio e de menor dureza, necessitando de maior cuidado contra impactos e contatos abrasivos, pois pode arranhar e se quebrar mais facilmente. Das peças antigas, as mais importantes foram esculturas, vasos, colunas e ânforas, além das notáveis luminárias e lustres com pantalhas, cúpulas e tulipas feitas de alabastro e que utilizam a translucidez do material, criando iluminação indireta de inigualável beleza.

Aldrava

A aldrava é uma peça de metal, geralmente de bronze ou ferro fundido, que é colocada na porta de entrada de casas ou edifícios, para servir de batedor. Ao invés de bater na porta com a mão, é possível usar a aldrava. Elas geralmente possuem um elo ou argola móvel, que serve para bater na porta. Foi muito usada na antiguidade, e é possível encontrá-la com diversos formatos e decorações, sendo que os com cara de animais ou em forma de mão são os mais tradicionais. Ainda hoje são usadas como objeto de decoração ou para uso.

Alfinete de chapéu ou maromba

Os alfinetes de chapéu ou marombas são alfinetes decorativos que foram muito usados no final do século XIX e início do século XX, especialmente na Era Vitoriana e na Era Eduardiana. Os chapéus grandes e muito decorados estavam na moda, e as marombas serviam para segurar o chapéu na cabeça, geralmente preso no cabelo. Mas também serviam para segurar os extravagantes enfeites de chapéu da época: flores artificiais, penas e até mesmo pequenos animais empalhados. Por outro lado, as marombas ganharam fama por se tornarem “armas” de defesa das mulheres, visto que algumas revidavam com espetadas os assédios ou outros abusos que estavam sujeitas a sofrer. Por isso, no início do século XX houve uma restrição de tamanho dos alfinetes, para evitar que fossem usados para este fim. Os alfinetes mais longos são, portanto, mais antigos, e foram produzidos com as mais diversas decorações, como pedras preciosas, contas de vidro, detalhes em latão, banho de ouro, etc.

Almofada

Carpintaria / marcenaria: ítem decorativo quase sempre aplicado em móveis, portas e janelas ou até mesmo na arquitetura: peça com saliência superposta à uma superfície. Pode ser em baixo ou alto relevo.

Almofariz

Tipo de pilão: Recipiente côncavo (em formato de tigela pequena) utilizado para macerar, ou seja amassar, esmagar pequenas quantidades de substância sólida para lhe extrair o suco através do uso de um bastão (pistilo). Antigamente era uma peça fundamental nas farmácias de manipulação. O almofariz é um instrumento comum em laboratórios químicos e farmácias, mas também utilizado na culinária. Materiais mais comuns: porcelana, louça, metais, pedra e madeira.

Alpaca ou metal branco

Alpaca ou metal branco e uma liga metálica composta de cobre, níquel e zinco. O brilho e a coloração são semelhantes ao da prata. Foi muito utilizada na produção de talheres, cutelaria crioula, seletores de rádios, bombas de chimarrão (são mais econômicas que as de aço inoxidável, porém são menos duráveis e mais frágeis) e outros. O contato prolongado do cobre com alimentos ácidos ou bebidas (inclusive leite fervente) pode haver liberação de cobre em quantidade tóxica.

Âmbar

Âmbar é o nome dado à resina fóssil produzida principalmente por árvores coníferas e leguminosas, muito usada para a manufatura de objetos ornamentais. Embora não seja um mineral, é por vezes considerado e usado como uma gema. Muitas peças de âmbar possuem impurezas em seu interior, ou mesmo pequenos insetos ou restos de plantas que foram envoltos na resina no momento em que estava fluindo. Depois de polidas, as peças de âmbar podem servir de adorno para colares, brincos ou pingentes. Também servem para a marchetaria, em objetos como caixas e outros. O mais belo exemplo do uso do âmbar em marchetaria foi na decoração do Salão Âmbar, localizado no Palácio de Catarina, próximo a São Petersburgo – Rússia.

Nota: o termo vidro/cristal âmbar geralmente é usado para designar peças que possuem cor semelhante ou igual ao âmbar.

Amberina ou Carnival Glass

Peças de vidro de utilidade doméstica e de tonalidade irisada, com reflexos dourados, caramelados, que lembram o amarelo de placas de âmbar. Aparecem nesse tipo de material: compoteiras, jarras, copos, pratos para doce, tulipas para lustres e garrafas. Foram também distribuídas como prêmios em bailes carnavalescos e parques de diversões, no início do século passado.